No Brasil, Philips quer agora administrar hospitais públicos

A Philips, fabricante de equipamentos médicos, lâmpadas e eletrodomésticos, traçou uma nova estratégia para fazer negócios no Brasil na área de saúde. A companhia holandesa, que já vem realizando exames médicos em pacientes da rede pública da Bahia, agora quer fechar novas parcerias público-privadas (PPP) no país para, por exemplo, administrar hospitais.

Na Bahia, foi criado um consórcio em 2015, onde a Philips tem uma participação de 19,99%, e as empresas de medicina diagnóstica Alliar e Fidi têm 50,05% e 29,96%, respectivamente. Estes sócios são donos de um laboratório de exames médicos que faturou R$ 86 milhões no ano passado, até setembro. O contrato com o governo da Bahia foi firmado em 2015 e tem prazo de 11 anos.

“Temos interesse em fazer outras parcerias neste formato. Acreditamos que há uma grande oportunidade neste momento e queremos participar mais da gestão dos projetos ligados à saúde pública”, disse ao Valor Henk de Jong, diretor-executivo da Philips na América Latina. Nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia, a Philips já tem operações em parceria com governos.

Ontem, Claudio Lottenberg, presidente da UnitedHealthCare Brazil, dono da Amil, defendeu a participação do setor privado na saúde pública. “O orçamento é insuficiente. Não vejo outro caminho a não ser as parcerias público- privada e, por que não, até aportes das empresas privadas na saúde pública”, disse Lottenberg, durante evento realizado pelo Credit Suisse, em São Paulo.

A Philips vem, desde 2011, fortalecendo a área de saúde em sua estrutura, tendo vendido ou reduzido participação em negócios de áudio, vídeo e iluminação. No Brasil, está integrando seu negócio de saúde com a Walita, marca brasileira de eletrodomésticos.

Na semana passada, a Philips inaugurou uma nova fábrica de equipamentos médicos (raio-x, ressonância, tomografia e ultrassom) na mesma unidade onde fica a Walita, em Varginha, no sul de Minas Gerais. Até dezembro, a fábrica de equipamentos médicos da Philips ficava em Lagoa Santa, na região metropolitana de Minas Gerais. “Decidimos integrar as operações para que nossos produtos de consumo também sejam focados em saúde”, disse o executivo. Faz parte da estratégia desenvolver itens como a fritadeira elétrica, que dispensa o uso de óleo para preparar alimentos.

Da produção total da nova fábrica, 60% dos equipamentos médicos atendem o mercado nacional; e 40% são exportados, principalmente, para os países da América Latina e do Oriente Médio. A fábrica de equipamentos médicos em Varginha é a única da Philips na América Latina. Na Argentina, há uma unidade que produz eletrodomésticos e outros produtos de consumo.

Outra frente da Philips é desenvolver produtos para pacientes fora do ambiente hospitalar como dispositivos que acompanham idosos, pessoas com doenças crônicas e que fazem tratamento em casa. O foco é tratar pacientes com câncer, doenças cardiológicas e respiratórias e mulheres grávidas.

No ano passado, a Philips registrou receita de € 24,5 bilhões, o que representa uma alta de 3% em relação a 2015 (considerando-se o critério de vendas comparáveis). A área de saúde cresceu 5% no mesmo período. O lucro líquido da companhia mais do que dobrou, para € 1,5 bilhão em 2016. O melhor desempenho foi registrado na América Latina e na China, regiões em que a receita teve expansão de dois dígitos. Nos Estados Unidos, o desempenho ficou em linha com o registrado em 2015, mas na Europa a Philips teve queda de receita, segundo balanço divulgado na semana passada.

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